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Entre a força e a fragilidade

  • auroradeoutono
  • 2 de jun. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de jul. de 2020

Levanto-me, o vento lá fora sopra, ouço. Dirijo-me à janela do meu quarto, pequena, e eu pequena também, apenas 5 anos de idade, pois ainda não tinha ingressado na escola primária.

Tinha todo o tempo do mundo! Para a minha imaginação poder ter asas e eu a Maria Rapaz dar asas também às minhas travessuras.

E o vento continuava a soprar, a soprar, num chamamento que só eu entendia. Era o dia propício para subir ao ponto mais alto da cerejeira do meu quintal e colher as cerejas, as mais doces, aquelas que foram picadas pelos pássaros.

Pássaros? Era assim que eu me sentia, livre como um pássaro, que pousava e voava para além dos limites que a minha vista podia alcançar. E o vento continuava a soprar e eu agarrada ao ramo que balançava fustigado pelo vento, firme, ria feito uma louca, feliz pela minha ousadia de enfrentar as forças da natureza.

Ouço:

Maria! Maria!

Fico quieta, olho em baixo dentro do milheiral a figura alta vestida de preto, cabelo bem penteado, apanhado numa pequena rede, se lamentava dizendo:

- Ai esta filha que me dá cabo do coração! Onde estará ela?

Deixei que se afastasse, desci a árvore com ligeireza, corri, passei em frente à casa do forno, para entrar em casa, mas olho…

Ali estava ela encostada, com duas rodas enormes, um selim e guiador, nada parecido com a bicicleta que eu tinha improvisado feita de duas canas e um pau que só deslizavam pelo chão. Peguei nela, subi a ladeira do quintal da casa, íngreme e fui até ao portão, subi para cima dela com ajuda do portão de madeira, desço qual rampa de lançamento, passo em frente à porta da cozinha feita um raio e vou estatelar-me dentro do milheiral, deixando-me entrelaçada entre milho, feijoeiros e raios de bicicleta, uma grande confusão!

- Maria! Maria!

Respondi: já vou mãe!

Mãe! Aquela que me deu o ser e me ensinou a caminhar, a falar, o verdadeiro significado do A,E,I,O,U

A de amor

E de educação

I de importante

O do olhar

U de ÚNICA, de união familiar, dos laços do coração

Já não chama por mim, mas o meu coração ainda chama por ela!

A minha rainha, de seu nome Isabel Caetano Vaz

Maria Caetano Vaz


 
 
 

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