Opinião
- auroradeoutono
- 31 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
O racismo, a xenofobia, o preconceito, são conceitos instituídos, que prevalecem de geração em geração. Muito se tem escrito e opinado sobre estes conceitos, sobre a não-aceitação da diversidade existente na raça humana, seja pelo aspeto físico (cor da pele, formato dos olhos ou tipo de cabelo) assim como pela cultura ou religião.
Nada é assim tão linear, entendo eu já que vivi alguns episódios em África, que me permitiram perceber a complexidade do que pode ser o preconceito, a descriminação entre raças e dentro da própria raça. Um desses episódios aconteceu numa das minhas idas ao mercado para comprar material, a vendedora que me recebia sempre com um largo sorriso, indicou-me um banco para eu me sentar enquanto esperava. Ao meu lado estavam duas vendedoras sentadas também e em conversa uma delas perguntou à outra:
- Então não sabes? Não conheces aquela preta muito preta que vive no morro?
Eu olhei, confesso um pouco surpresa, porque aquelas palavras vinham da conversa entre duas negras!? Ainda assim descriminavam alguém que teria a pele mas escura do que elas.
O ser humano branco criou o estereótipo da raça superior, como se os atributos de beleza, inteligência, atitude, respeito e educação fossem exclusivamente apanágio dos brancos, sem sequer admitirem a hipótese de descenderem de antepassados de raça negra ou outra. Refiro-me ao "embranquecimento" racial e à mistura das raças que vem acontecendo ao longo dos tempos e assim continua….
· Noemi, a menina que foi a minha companhia dos meus dias sem ocupação, na minha primeira passagem por África. Enquanto eu caminhava por entre jardins, ela pendurava-se na minha cintura, entrelaçava as duas magras pernitas na minha perna enquanto eu abraçava o seu pequeno corpo. Numa daquelas tardes, estava eu sentada, tentando que o tempo passasse, através da leitura, ela chegou, sentou-se há minha frente a sorrir e a olhar-me fixamente disse:
-És bonita e gosto do teu cabelo!
Percebi que mais do que me achar bonita e gostar do meu cabelo, era a cor da minha pele o motivo da sua admiração.
Sorri e disse-lhe:
Sabes, no meu País as pessoas vão à praia para ficarem ao sol e outros até vão aos Solários, porque gostam de ter a pele muito bronzeada!
Noemi na sua inocência faz-me esta pergunta:
-E o que é que eu faço para a minha pele ficar da cor da tua?
Fiquei sem palavras e abracei-a simplesmente.
Pensar que se fôssemos todos semelhantes, ainda assim se estabeleceria a diferenciação, a subjugação e forma de vilipendiar outros, apenas e só, por falta de altruísmo e pouco interesse na harmonia da boa convivência. E a discriminação nas várias vertentes assim prevalece.
O ser humano vale pelo que é, e não pela raça a que pertence.
Os direitos e os deveres deveriam ser comuns a todos.
Um bom ser humano encontra-se em todas as raças!
Em todas as raças se encontra um mau ser humano!
Maria Caetano Vaz




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